No caminho da luz





















Por Josué Ebenézer de Sousa Soares
Publicado 31/08/2006

COMO CULTIVAR O HÁBITO DA LEITURA NOS FILHOS
Ler é uma aprendizagem. Quem não freqüentou esta escola, passa longe dos
jornais, revistas e livros, e reclama que tem muito papel espalhado pela casa
e pela vida. Sua preocupação com as árvores não é ecológica, mas apenas
lógica. A lógica da lei do menor esforço. Meu pai já dizia quando esbarrava
com alguém tomado pela preguiça Este aí só quer sombra, água fresca e
jornal sem letra... Claro; para não cansar as vistas!

A leitura, como aprendizagem, começa cedo e se estende por toda uma
vida; não cessando nunca, nem com a morte.Se ainda não inventaram
este personagem, deixa comigo, mas deve haver algum defunto-leitor
nas páginas literárias do mundo, que gaste parte de seu tempo ocioso
no caixão, a procurar as etiquetas do forro, ou a marca de fábrica na
madeira, enquanto o tempo escorre lentamente na ampulheta do além,
à semelhança de certa gente que, em vida, não perde tempo para o vazio,
fazendo do ócio tempo de leitura, nem que seja de rótulo de sabonete,
xampu ou desodorante, para passar o tempo das idas ao banheiro.

Deixando as digressões literárias de lado, vamos concluir que ler é
uma questão de dedicação ao fato. Aprende a ler, quem lê. E lê bem,
quem lê muito. E aprende a falar e a escrever, quem investiu parte da
vida na leitura. O leitor medieval não freqüentava escolas, porque
escassas eram, mas lia. E lendo, muita gente se fez inteligente. O
autodidata tem esta vocação para a leitura, que o torna um ser em
transição para aquilo que o novo livro lido fará dele após o tempo
gasto em seu exame.

Por isso alguém já disse: Somos o que lemos!Mas como incentivar as
novas gerações a amarem a leitura? Como legar aos que nos sucederão
na trajetória da vida o gosto pela leitura e, conseqüentemente, pela
escrita? Esse é o desafio que pais e educadores enfrentam, mormente
nos dias de hoje, quando a televisão, a máquina de fazer doido, se
constitui num instrumento de emburrecimento precoce e nossa
infância, impondo com sua programação inócua e bizarra - onde
a falta de criatividade e a mesmice preenchem as manhãs, tardes e
noites de nossa gente -, certa nivelação, por baixo, de nossa inteligência.
aprendendo a gostar de ler pelo exemplo.

Ninguém nasce gostando de ler, como ninguém nasce gostando de tomar
banho, principalmente no inverno. Somos educados para certos hábitos
e nos identificamos com certas necessidades que vamos descobrindo ao
longo da nossa existência. As famílias precisam investir na leitura,
incentivando seus filhos a lerem o máximo que puderem.Numa casa
onde se encontra de tudo, menos alguns exemplares de livros, crianças
não encontrarão o ambiente necessário para uma boa formação intelectual.

O governo tem criado programas de incentivo à leitura, e até mesmo
forjado pacotes literários como se fora uma cesta básica literária para
colocar nas mãos das crianças em idade escolar da rede pública.Tais
incentivos esbarram na falta de exemplo dentro do lar. Com certeza,
a escassez de livros numa casa será recompensada pela qualidade do
interesse de pais que demonstrem gosto pela leitura, e o pouco que
tem para ler, o fazem com sofreguidão.

Se crianças esbarram com pais que, volta e meia, estão com livros na mão,
compulsando-os ávidamente, terão seu interesse despertado para saber
o que há de tão cativante em tais livros que prendem tanto a atenção de
seus pais. (Não resta dúvida que, neste caso, temos um compromisso sério
com a qualidade do que lemos.)Além do mais, desde cedo, pode-se forjar
leitores, ao presenteá-los com livros em datas específicas do calendário
social: aniversário, dia das crianças, Natal e outros.

No lugar de certas quinquilharias que perdem o seu valor rapidamente,
o livro como presente, constitui-se um bem durável, que se eterniza na
memória do leitor, mas também se materializa na estante de seu
proprietário, podendo constituir-se em bênção para tantos quantos a
ele tenham acesso.O exemplo de casa é, portanto, o principal incentivo
para que, na tenra infância a criança já comece a ter interesse pela leitura.

Investimento que se faça também em leituras coletivas de livros,
interpretação de textos e serões semanais para se contar historinhas
para as crianças serão de grande valia na formação do background
literário de um ser. Para tanto, não há melhor instrumento de
aprendizagem da leitura do que o culto doméstico. Neste espaço sagrado
da devoção familiar, as crianças aprendem a gostar da leitura da forma
mais edificante. A leitura a Bíblia é a porta que abre o caminho dos céus.
E me refiro não só aos céus, mas aos literários, que podem fazer uma
criança viajar nas asas da imaginação com as histórias bíblicas de José,
Josué, Abraão, Jacó, Daniel e outros personagens bíblicos.

ASPECTOS PRÁTICOS DE INCENTIVO A LEITURA
Além das idéias que foram esboçadas nestas primeiras linhas, gostaria de
destacar algumas ações práticas que podem ser tomadas no seio da família
para despertar o interesse pela leitura em seus membros. Apenas para
síntese, concluímos que pelo menos três ações são elementares na formação
de novos leitores:
1ª) Dar o exemplo para os mais jovens, sendo um bom
consumidor de livros;
2ª) Promover oportunidades de leitura sadia no
ambiente familiar, com troca de experiências e informações;
3ª) Presentear os entes queridos com exemplares de livros que possam
contribuir para a sua formação moral e intelectual.

A construção de uma boa biblioteca familiar será um tremendo incentivo
à leitura no ambiente da casa. Crianças que aprendem a conviver com os
livros desde cedo aprendem a amá-los le-los como fonte de cultura e saber.
Uma relação emblemática entre o leitor de modo que o ato de manuseá-lo
constitui-se também em experiência táctil, afetiva, espiritual.Na vida de
cada ser existe o livro que a sua paixão pela leitura. É o livro gerador do
leitor. É o livro que se faz pai, ao conceber idéias e sonhos na mente do
leitor que está se descobrindo para o mundo das páginas literárias.

Na minha vida, este livro foi A Irresistível Inimiga. Um livro de ação,
ambientado em castelos franceses da época renascentista e que me
prendeu do início ao fim. Era Junior ainda, quando o li, embora fosse
um calhamaço enorme. Tenho-o guardado em alguma caixa de
recordações...Com o passar do tempo, outros livros e autores
foram se aproximando e me conquistando. É interessante destacar
mbém a relação que o leitor passa a ter com certos autores.

Dostoievsky, Tolstói, Machado de Assis, José de Alencar, Cecília
Meireles, Maiakóvsky, Wittiman, Manuel Bandeira, Jorge Luiz Borges,
Gabriel Garcia Marques, Henry Thoreau, Marcel Proust, Hemingway,
Mark Twain, Emily Brönte, dentre outros, foram ficando em minha
vida na medida em que me iam sendo apresentados pelos seus escritos.
Além disso, cada ser deve ter o eu livro essencial. Ou seja, aquele livro
que representa suas idéias, sua formação, seus sonhos e ideais. Para o
cristão, a essencialidade deve ser encontrada na Bíblia, livro de cabeceira
de quem quer que se pretenda sábio.

Outros livros poderão ter espaço vital em nossa vida. Como livros
se produzem às toneladas, é fundamental que se saiba escolher o que ler.
Ser seletivo na escolha do que ler é o mínimo que se requer de um leitor
moderno, para que não se veja metido a ler o que pouco vá acrescentar
aos seus interesses espirituais e intelectuais.A guisa de ilustração
pessoal .Sempre gostei de ler. Não sei exatamente como e quando isto
começou, mas devo, com certeza, aos meus pais (ele, pastor; ela,
professora) este bom hábito. Costumo dizer que sou um amante das
palavras, embora não tenha tanta certeza se elas são assim tão apaixonadas

A MUSA VISITANDO MEU FILHO

Meu filho, a Musa que te busca, e te faz escrever,
e faz parar o brinquedo, toda algazarra infante,
e te leva a espalhar, pela casa a todo instante
os papéis onde imprimes o que não podes deter.

É a Musa que acomete e toma conta daquele
que certo dia na vida viu algo além da matéria
e fez viagem nos sonhos de uma pureza etérea
amando um Universo que agora passa a ser dele.

Por isso, filho querido, assim que a Musa chegar
e em sua cabecinha sentir sonho se aninhar
e dentro, no coração, palpitar grande esperança!
Corre ágil para a mesa, toma caneta e papel
escreve logo um poema que anuncie seu céu
e deixe a alma fluir embalada de bonança!
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