Mostrando postagens com marcador fé.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fé.. Mostrar todas as postagens

Caiu a ficha ..













IGREJA UNIVERSAL DEVERÁ DEVOLVER 2 MIL A FIEL ARREPENDIDO.


O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que a Igreja Universal do
Reino de Deus devolva uma doação de R$ 2 mil, devidamente corrigidos, feita
por um fiel arrependido. O ministro Luís Felipe Salomão negou seguimento a
um recurso da igreja, que pretendia que o recurso especial interposto por ela
com o objetivo de afastar a condenação fosse remetido ao Superior Tribunal
de Justiça (STJ) para apreciação e julgamento.

De acordo com os autos, um motorista, morador de General Salgado (SP), ao
visitar a igreja, foi induzido a fazer parte do "rebanho", mas, para isso, teria
primeiramente que abandonar o egoísmo e se desfazer de todos os seus bens
patrimoniais. Como recompensa, o pastor teria prometido que sua vida iria
melhorar tanto no campo profissional quanto no sentimental.

O motorista vendeu um automóvel Del Rey, único bem que possuía, por
R$ 2,6 mil, e entregou dois cheques ao pastor. Alguns dias depois,
arrependido, conseguiu sustar um dos cheques, de R$ 600, mas o primeiro
cheque, de R$ 2 mil, já tinha sido resgatado pela igreja. Em primeira instância,
o seu pedido não foi acolhido.

O fiel recorreu e o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou a
Igreja a devolver os R$ 2 mil, devidamente corrigidos, a título de danos
morais, e afastou o pedido de ressarcimento por danos morais. Ao decidir, o
ministro Luís Felipe Salomão ressaltou que o TJ-SP resolveu todas as
questões pertinentes, revelando-se dispensável que venha a examinar uma
a uma as alegações e fundamentos expostos pelas partes.
Redação Terra

Igreja esquisita essa. É uma das poucas que esta´sempre se envolvendo com
a justiça. Tanto para condenar como para se defender,. Parece que estão
esquecendo o princípio básico do evangelho que é o amor ao próximo
e a espiritualidade. Porque eles não vendem a tv record e dão tudo aos pobres?
"Faça o que eu mando , mas não faça o que eu faço"...Essa é a diretriz.
Posted by Picasa

A FÉ DOS SÉCULOS



















A história da religião no mundo, nem sempre é constituída por fatos
positivos ou de sucesso. Nos primórdios dos séculos o ser humano na
ignorância pelo desconhecido e pela necessidade de ter um protetor
virtual, admitia como deuses,coisas tão banais e ridículas como adorar
o sol, a lua e objetos imóveis como montanhas, impressionados pela
espetacular massa de granito e pela sua gigantesca sombra que os
protegia do sol.

Logo começaram a pensar que a proteção era além da luz solar. Se
fôssemos daquela época agiríamos da mesma forma porque o
desenvolvimento de nosso cérebro ainda estava engatinhando.
Depois de muito tempo nesse estado, a mente humana foi se
desenvolvendo pela própria prática do viver, e começaram a aparecer
os espertinhos estudiosos.

É claro que quem estuda, aperfeiçoa o espírito e a partir daí exerce
influência em outros que não seguem o mesmo esquema. Daí ,os
romanos pegaram meia dúzia desses elementos e criaram uma religião.
Por isso que hoje se chama "Igreja católica romana". Não vamos aqui
falar dos revoltados e insatisfeitos que desmembraram a igreja , tudo
sem poucas mortes e poucos atentados.

Mas apesar disso, a igreja católica romana continuou em sua caminhada
pelos séculos seguintes e está aí até hoje. Deixou um rastro de injustiças
e milhões de mortes de inocentes que na maioria dos casos se perderam
no tempo e no esquecimento. Na era da tal inquisição, qualquer pessoa
que fosse denunciada por algum fanático, era queimada na fogueira santa
sumariamente, servindo de espetáculo para a população animalesca e
sem noção.Isso aconteceu com milhares de mocinhas mais exóticas ,
que eram taxadas de bruxas.

A igreja tinha poder absoluto no estado. Era como hoje o PT e o governo.
Muitos reis e imperadores se convertiam na religião, não por vontade,
mas por conveniência. Era algo parecido com o que chamam hoje de :
"Aliança partidária." No decorrer de vinte séculos, temos que enaltecer
o papel da igreja aqui no Brasil, nos tempos da ditadura. Foi a única
organização religiosa que ousava criticar, embora de modo suave e
pacífico.

Os evangélicos ficaram com a nota zero nesse quesito. Encontraram
na bíblia algo como " todo governante é provindo de Deus", e com
isso se recolheram no silencio da conivência. Estudiosos dizem que
a influencia da igreja foi tão grande que chegou ate´os mais longínquos
recantos do planeta na era dos descobrimentos. Em toda frota de
galeras procurando novas terras, ( Na verdade a busca era por ouro
e pedras preciosas) tinha um representante da igreja.

Ele fazia uma missa quando da chegada em terra firme e ainda
benzia as armas que matariam os índios do local. Outro fato positivo
da igreja em favor das artes é incontestável. Temos hoje espalhadas
pelo mundo, milhares de estruturas de beleza arquitetônica
incomparável. Confiram nas fotos. Por esse mesmo lado,podemos
sentir a influencia da maior religião em cidades como Ouro Preto
pelas inúmeras igrejas, algumas quase em frente as outras.

Dizem que pela ligação estreita dos reis da Espanha e Portugal com
a igreja, resultou no atraso cultural na América Latina. Onde
chegavam os espanhóis e os portugueses, a igreja chegava junto.
Certamente que havia uma divisão dos espólios entre eles. Isso explica
a riqueza do Vaticano. Ate´anos atrás a igreja tinha uma influencia muito
grande na sociedade.

Quando era criança e freqüentava o primário na pequena cidade
natal, na classe, antes da aula começar fazia-se uma reza. ( A maioria das
crianças eram de famílias católicas). Eu que era a minoria ficava sempre
constrangido e muitas vezes discriminado perante o fato de não pertencer
ao grupo religioso. Alguns professores mais liberais não faziam isso.
Mas como sempre tem pessoas mais fanáticas, independente da cultura
e da escolaridade, impunham essa reza forçada todos os dias de aula.

Logo descobri o jeito e atrasava um pouco do lado de fora,
esperando a ladainha terminar. Mais a frente houve uma guerra fria
entre um padre psicopata parecido com o dr. Silvana, ( O dr. Silvana era
o inimigo do Capitão Marvel nas HQs.) e um testemunha de Jeová que
era meu patrão. A noite faziam um duelo de alto falantes. O TJ lá em
baixo e o padre na torre da igreja. Isso culminou em uma disputa com a
bíblia de um suposto TJ e um católico na esquina do bar grande, no meio
do povo.

O católico ganhou.Depois descobriram que havia sido tudo planejado
pelo padre. As procissões nessa época eram cheias de tensão e
reprimendas em altos brados. Ai de alguém que estivesse em seu caminho
e não nas filas dos fieis. Quando era em sexta- feira santa, quem não era
católico seria bom que ficasse em casa na hora do acompanhamento, se
não quisesse ser xingado e humilhado nas ruas , por elementos fanáticos
que controlavam as filas.Certa vez o padre organizou ( para horror dos
evangélicos) uma queima de bíblias em praça pública. Naquela época a
igreja proibia os fieis de lerem a bíblia. Foi uma fogueira e tanto.

Destacou-se na queima dos livros um "congregado mariano" que morava
em um sitio próximo. Passados o anos, o padre foi-se embora e acabou
morrendo engasgado com um osso de frango. O evangélicos diziam que
Deus o castigou.O "congregado mariano" se envolveu em um acidente em
que sofreu queimaduras pelo corpo. Não chegou a morrer, mas ficou como
exemplo do mau ato praticado pela queima das bíblias .(segundo os
evangélicos).

Os mais velhos comentavam que em tempos mais remotos os católicos
perseguiam os protestantes literalmente ,naquelas paragens.
Dificultavam o acesso deles pelas estradas e houve até mortes. Certa vez,
uma familia que seguia o espiritismo foi dizimada em sua própria casa,
acusada pelo"chefe de quarteirão", (uma espécie de líder do bairro) de
estarem fazendo seções com sacrifício humano. Nada porém era verdade.
Atrás de tudo, estava um padre ou um imediato, que fazia a cabeça das
pessoas.Hoje vemos a bela arquitetura de igrejas com seus afrescos
chamativos, mas por trás de tudo isso, infelizmente a historia os condena.
Posted by Picasa

DECADÊNCIA DO IMPÉRIO

A DECADÊNCIA DO IMPÉRIO CATÓLICO.


Aos poucos, a Igreja Católica vai perdendo seu espaço. Não adianta o
Papa pregar contra a cultura da libertação, porque, no mundo inteiro,
a coisa caminha cada vez mais contra a vontade da Igreja.
Foi-se o tempo em que cardeais e bispos impunham as suas
“jurisprudências” para determinar punições às ovelhas negras do
rebanho católico.

De uma maneira geral, a tendência é que as novas
gerações deixam de lado todo o conservadorismo herdado de
antigamente. Exemplos não faltam. Hoje, realizam-se manifestações
a fim de legalizar o aborto, venda e consumo de maconha, união civil
entre homossexuais e o direito de adoção de filhos por parte do
“casal”.

Em tempos passados, pensar nesses conceitos em uma mesa
de debates seria considerado uma afronta aos bons costumes e
principalmente a Deus. Os anseios da Nova Era não param por
aí. A própria mídia exibe comportamentos neoliberais em suas
novelas e reality shows. Um exemplo contemporâneo do que
reflete a conduta dos adolescentes é “Malhação”; uma novela
que ensina como os jovens devem se comportar no mundo atual.

Ali, instrui-se como roubar o(a) namorado(a) do(a) amigo(a) da
melhor maneira, como e quando ter a primeira relação sexual,
como afrontar os pais em momentos de idéias controversas
dentro de casa, como sabotar uma prova na escola, enfim, por aí vai.
Comparando a uma orquestra, todo esse processo revolucionário
acontece em um Alegro ma non troppo; ou seja, alegre, mas nem
tanto.

Sabemos de onde vimos a para onde caminhamos, porém, não
há nada que possamos fazer para evitar que esse processo continue
a evoluir de uma forma menos danosa aos princípios da moralidade
e dos bons costumes. A Igreja Católica, portanto, em um cenário
como o recente, perde sua remota capacidade de orientar famílias
e até mesmo autoridades sobre os ensinamentos cristãos, que, de
tempos em tempos, estão cada vez menos presentes na cultura
humana.

Não farei referência às igrejas protestantes pois elas são diversas
e cada uma tem a sua ideologia. Umas mantém o conservadorismo,
como a Deus é Amor e a Assembléia de Deus, mas outras seguem
a tendência neoliberal, como a Universal do Reino de Deus e a Vida
e Paz.

A ausência de influência religiosa na sociedade é, até certo ponto,
positiva. A Igreja intrometer-se no debate sobre o uso de células-
tronco embrionárias em pesquisas científicas é democrático, porém,
é ruinoso não contemplar as milhares de pessoas enfermas que
dependem da evolução dessas pesquisas para sobreviverem.
Por outro lado, se a entidade religiosa posiciona-se contra a
legalização da venda de drogas, é positivo para a sociedade
como um todo. Afinal, quem quer ter um filho drogado?

A questão é que a influência religiosa, de uma forma geral, não
surte mais efeitos concretos no mundo atual, e quando consegue,
é de proporção ínfima.
Recentemente, na Espanha, a Igreja Católica sofreu uma derrota
significante. O governo do primeiro ministro daquele país, José
Luiz Rodrigues Zapatero, decidiu cortar a verba de 11,7 milhões
euros que era dada à Igreja mensalmente. Foi o preço que os
padres pagaram por influenciar a oposição a fazer aferro à idéia
de liberar o casamento gay. Para piorar um pouco mais, o clero
perdeu a isenção tributária.

Sou totalmente favorável ao fim do financiamento estatal à Igreja.
Se o país é laico, não tem cabimento tal repasse de recursos
públicos. Mas o fim às benesses financeiras, obviamente, não foi
com vistas à laicidade do Estado, e sim à ideologia católica, que
confronta com interesses da sociedade civil.

Eu, particularmente, como conservador, sou contra o casamento
gay. Mas nem por isso posso impedir o debate democrático sobre
assunto. A Igreja Católica, como integrante de um país laico,
também tem de se submeter aos interesses de uma sociedade
em constante evolução.

Leandro Vieira
http://blogdoleandrovieira.wordpress.com/2008/05/10/a-decadencia-do-imperio-catolico/

* A televisão também colabora com sua força maligna
em busca da famigerada audiência.
Ela poderia ser uma ferramenta do bem, mas não é.
Ultrapassa os limites da moralidade e da honestidade na concorrência
pelo telespectador. E não é somente a que transmite a novela acima
mencionada. Todas elas colaboram com a imoralidade e com os maus
costumes. Vejam a postagem neste blog, "Mundo estranho" de 21/10/2008.

FÉ PERIGOSA 2
























CONTINUAÇÃO.

Será que, à medida que o pentecostalismo clássico, o novo pentecostalismo
(“neo-pentecostalismo”) e as Igrejas do mesmo tipo adaptam os “pobres”
às exigências do mercado, se estaria não somente diante do “braço
espiritual” do imperialismo norte-americano, mas também do neo-
liberalismo triunfante? A julgar pela “máquina narrativa” do
pentecostalismo, que divulga seu sucesso mundial, e que é dirigida
aos indivíduos (em geral pobres) e não às camadas proletárias enquanto
grupo, ele consegue efetivamente amortecer o choque dos programas
de ajuste estrutural.

E dá aos convertidos o que o Banco Mundial chama de votos, isto é o
empowerment (a outorga de direitos) às mulheres e aos homens, a
confiança em si mesmo e na capacidade de vencer a adversidade!
Permite aos excluídos da sociedade não se deixarem esmagar e
“renascer”. Inebriados pela emoção de cultos exuberantes, os crentes
atravessam, sem protestar, as novas provas a que a globalização
neoliberal os submete.

Com a chave da promessa de um enriquecimento rápido, à imagem
dos pastores que dirigem um 4x4... Dê e Deus lhe dará em dobro!
Emoção ou felicidade ilusória?Como explicar a semelhança desses
cultos no Zimbábue, Costa do Marfim, Bolívia, Brasil, Guatemala e
Haiti? Efeito ou manifestação da globalização?Novo “ópio do povo”?
Convém não esquecer a primeira parte da famosa frase de Marx:
“A religião é o suspiro da criatura oprimida, o calor de um mundo
sem coração, e o espírito das condições sociais das quais se encontra
excluído o espírito.”

Nessa perspectiva, é preciso ver que tanto o catolicismo quanto o
protestantismo histórico passaram, nos últimos séculos, por uma
crescente racionalização, um desencanto, a que Marcel Gauchet
chama “uma saída da religião”, já não oferecendo o calor nem o
consolo. Ora, em contrapartida, novas necessidades religiosas
afirmam-se no mundo contemporâneo: necessidade de emoção,
do sagrado (principalmente pelo surgimento de forças aterrorizantes),
de participação.

Na América Latina, o pentecostalismo retoma a devoção e o misticismo
popular bastante difundidos no século XIX, expressão popular “pagã”
que a Igreja católica pretendeu disciplinar, a partir do último terço do
século em questão, pelo chamado processo de “romanização”.
Na África, o pentecostalismo alia-se ao profecismo – ao mesmo tempo
abertura e resistência. Diante do crescimento da racionalização e da
“virtualização”, os oprimidos do mundo reivindicam o calor da emoção
e o sentimento de estar junto; buscam cenários que atestem a atrocidade
do mal que os oprime, encontrando nisso um sentido do sagrado.

Felicidade ilusória? Muitas vezes, eles se convencem que a ilusão se
encontra do lado dos que, não sem irresponsabilidade, prometem
revoluções que acabam por oprimi-los ainda mais. A fantasia de ganhar
na loteria .Há um elemento de realidade na opinião obsessiva de que as
Igrejas pentecostais constituem o “braço espiritual” do imperialismo
norte-americano.

A “máquina narrativa” do pentecostalismo é dirigida aos indivíduos e
não mobiliza camadas sociais. Ao mesmo tempo que mulheres e homens
são separados, vivem em um universo holístico onde tudo está em tudo.
Impregnados de uma cultura mediúnica – crêem na presença de
espíritos –, continuam a se sentir próximos da natureza e de sua
comunidade, que tentam recriar quando se desintegra. Em lugar algum
o holístico se manifesta melhor do que no que se denomina de “cura divina”.

Uma nova abordagem para cada indivíduo de seu corpo, de sua relação
com os outros, de suas necessidades espirituais, a “cura divina” não
significa uma simples mudança de estado psicológico: ela é uma
regeneração. Ela é conseguida por um “novo nascimento” (born again),
uma maneira de o indivíduo se reencontrar, mas também de a comunidade
se reconciliar. A transição da África do Sul para uma nova sociedade –
ainda que falte fazer tudo no plano das desigualdades econômicas (cada
vez mais explosivas) – fez-se por meio dessa concepção de “cura” típica
do cristianismo sul-africano.

Os pentecostais irritam espontaneamente os intelectuais. Para estes, o
misticismo não passa de gestos grotescos, e os fiéis, crentes atrasados
e mesmo oportunistas. Os pentecostais pregam a hipermodernidade
(principalmente por meio de redes transnacionais e pelo uso dos meios
de comunicação) mas, ao mesmo tempo, parecem atrasados pela crença
nos maus espíritos (transfigurados em manifestações de Satã). Mostram-se
muito rigorosos (proibição de álcool, tabaco, sexualidade muito restrita etc.)
e ao mesmo tempo carnais (às vezes, os cultos assemelham-se
razoavelmente a balés sensuais).

Reivindicam a aplicação literal da Bíblia, adaptada à experiência de cada um.
Apoiada em uma leitura literal sobre a prosperidade de Abraão abençoada
por Deus, a “teologia da prosperidade”, por exemplo, apresenta-se como
a expressão da fantasia popular de ganhar na loteria; ao mesmo tempo, é
a afirmação de um direito, o de escapar à humilhação, à miséria e à
dependência. Dedicando-se a Cristo, o crente transforma-se em “vencedor”.

Pregando a “guerra espiritual”A “máquina narrativa” do pentecostalismo é
dirigida a indivíduos: mulheres e homens vivem em um universo holístico
onde tudo está em tudo Esta adaptação irrestrita aos sinais da globalização
irritou durante muito tempo os antropólogos. Envoltos na autenticidade
africana, os africanistas em particular negligenciaram esse fenômeno
“americano”. Foi preciso que a jovem geração de antropólogos, sociólogos
e cientistas políticos (muitas vezes britânicos e franceses) se interessasse
pelo assunto para que o fenômeno começasse a ser estudado.

Na América Latina, brasileiros, chilenos e argentinos começaram antes,
de forma que o fenômeno é hoje melhor conhecido. A cultura do “mau gosto”
e o estilo “supermercado da fé” do pentecostalismo, atualmente já são
aceitos sem muito juízo de valor. Quer se goste ou não, percebe-se que se
trata de uma expressão da cultura popular. Uma cultura que não quer ficar
longe do que se passa no mundo – antes, uma cultura de retiro e de refúgio,
o pentecostalismo tornou-se uma cultura de adaptação – mas que não
renega suas tradições, muitas vezes vistas de fora como superstições.

O fenômeno espalha-se por todos os cantos do mundo. Fala-se muito de seu
desenvolvimento na Ásia (mesmo na China ), mas os estudos são ainda
pouco numerosos . Ele é vivido como uma guerra total. “A década de 90
será definitivamente testemunha da guerra espiritual mais intensa que a
Igreja terá conhecido em 2000 anos de história”, ensina-se nas escolas
bíblicas. “Não há zona desmilitarizada!” Os mesmos rituais se observam
por toda parte, o mesmo uso da mídia, as mesmas “máquinas narrativas”.

Reproduzindo a ideologia dominanteA cultura do “mau gosto” e o estilo
“supermercado da fé” do pentecostalismo, atualmente já são aceitos sem
muito juízo de valor ou preconceito
No entanto, essa padronização está longe de nivelar as culturas. Ela é como
a “chave inglesa”, que permite apertar os parafusos de formas sempre
diferentes. É universal no sentido de que não respeita fronteiras. Mas, uma
vez apertados os parafusos, novas configurações surgem. Às vezes,
identidades afirmam-se mais restritas que as identidades nacionais, sem
serem étnicas, mas freqüentemente são maiores que as fronteiras.

O mais curioso é que não se trata aqui de uma geopolítica conduzida de
cima para baixo (há milhares de denominações e mesmo as mais
importantes são muito descentralizadas), mas de uma geopolítica
conduzida a partir de baixo, por pequenos pastores “de pés descalços”
(que tentam simplesmente, ampliando as relações com outros países,
obter o respeito de sua família e de seus vizinhos).

Em sua convicção da “cura divina”, os crentes inventam uma nova
cultura em lugarejos abandonados, em todos os sentidos (inclusive no
plano dos cuidados com a saúde). Pode-se muito bem falar de cultura
popular, exceto de que ela não é reconhecida como tal pelas elites
intelectuais. Mas trata-se de uma cultura de resistência que reproduz,
sem o saber, a ideologia dominante. Neste sentido, o pentecostalismo é
mesmo o novo ópio do povo. Assim mesmo, é preciso lembrar o contexto
em que Marx utilizou a expressão: é a emoção em um mundo sem coração.
.(Trad.: Marinilzes Mello)


1 - Ler, de Bruno Fouchereau, “O cavalo de Tróia norte-americano”, Le
Monde diplomatique, maio de 2001.
2 - Ler, de Ruth Marshall-Fratani, “
Prospérité miraculeuse: Pasteurs pentecôtistes et argent de Dieu au Nigéria”
, Politique africaine, n° 82, Karthala, Paris, junho de 2001, pp. 24-44.

3-Ler “Lavage de cerveaux”, dossiê de Marc Vanwesse, no Suplemento do jornal
Soir (Bruxelas), de 7 de setembro de 2001.
4 - Le Monde, 22 de fevereiro de
2001.
5 - Ler, de Walter Hollenweger, Cahiers de l’IRP, n° 39, Universidade
de Lausanne, abril de 2001.
6 - De acordo com esta última orientação doutrinária, Deus nunca abandonou Israel.
7 - Ler, de Jean-Paul Willaime, “Les définitions
sociologiques de la secte”, Les “sectes” et le droit en France, org. Francis Messner,
ed. Presses Universitaires de France, Paris, 1999, pp. 21-46. Ler também, de
Danièle Hervieu-Léger, La religion en miettes ou la question des sectes, ed.
Calmann-Lévy, Paris, 2001.
8 - Ler Between Babel and Pentecost: Transnational
Pentecostalism in Africa and Latin América, org. André Corten e Ruth
Marshall-Fratani, ed. Hurst Publisher/ Indiana University Press, Londres/
Bloomington, 2001.
9 - Ler, de David Stoll, Is Latin America Turning
Protestant? The Politics of Evangelical Growth, ed. University of California
Press, Berkeley, 1990. David Stoll distinguiu-se ainda no ano passado devido
a uma polêmica (bastante contestável) sobre a biografia da vencedora do
prêmio Nobel da Paz, a guatemalteca Rigoberta Menchu.
10 - Ler, de David
Martin, Tongues of Fire: The Explosion of Protestantism in Latin América,
ed. Blackwell, Oxford, 1990.
11 - Ler, de Paul Gifford, “The Complex Provenance
of Some Elements of African Pentecostal Theology”, Between Babel..., org. André
Corten e Ruth Marshall-Fratani, pp. 62-79.
12 - Ler, de Jean-Pierre Bastian, in
André e Mary Corten (ed.), Imaginaires politiques e pentecostismes: Afrique/
Amerique Latine, Karthala, Paris, 2001. p.220.
13 - Quando se trata da China,
os índices são dotados de um coeficiente inflacionário: 60 milhões, afirma-se,
em certos meios evangélicos. Convention Globale du pentecôtisme, Los Angeles,
maio de 2001.
14 - Pau, Freston. Evangelicals in Latin America, Asia and Latin
América, ed. Cambridge University Press, 2001.

http://diplo.uol.com.br/2001-12,a160
Posted by Picasa

FÉ PERIGOSA




















PENTECOSTALISMO...
ÓPIO DO POVO OU CULTURA POPULAR?
Nascido do protestantismo – e praticamente simultâneo –
no início do século XX, nos Estados Unidos, África do Sul,
Brasil e Chile, o movimento Despertar (pentecostalismo)
passou por uma verdadeira explosão a partir da década de 80.

Nunca a Igreja Universal do Reino de Deus obtivera tamanha
audiência.Em 12 de outubro de 1995, dia da festa da padroeira
do Brasil, através da rede brasileira mais importante de
televisão, um bispo daquela Igreja tenta convencer seus adeptos
sobre a idolatria dos católicos, chutando uma estátua de Nossa
Senhora Aparecida. Com isso, pretende explicitamente
denunciar a religiosidade de um Estado supostamente laico.

Naquele dia, muitos brasileiros que jamais haviam prestado
atenção à Igreja Universal do Reino de Deus, ficaram indignados
com o sensacionalismo, ao mesmo tempo que muitos deles se
sentiram secretamente orgulhosos dessa multinacional de cor
brasileira. Em setenta países do mundo, a Igreja Universal
prega uma mesma mensagem, bem sucedida: “Pare de sofrer”.

Acuada pelas comissões parlamentares que investigam as seitas
na França (1995) 1 e na Bélgica (1997) – segundo esta última,
ela seria“palco de inúmeros escândalos sexuais” –, a Igreja
Universal do Reino de Deus está em franca expansão na América
Latina e na África.O futuro do cristianismo no Terceiro Mundo .

Acuada por comissões parlamentares que investigam as seitas
na Europa, a Igreja Universal está em franca expansão na
América Latina e na África. Assim, em uma cidade como
Kinshasa, no Congo (ex-Zaire), completamente devastada pela
miséria, o pentecostalismo também explodiu: “Jesus, Jesus!”
, urram nas igrejas os fiéis em transe, rolando pelo chão,
inflamados por pastores carismáticos às vezes chamados de
“vigaristas de Deus”.

Eles fazem esquecer a fome, a doença, a promiscuidade,
desmascarando “os ataques de bruxaria a que é exposta
qualquer vítima de uma decepção pessoal, de melancolia e de
incredulidade”, segundo o trecho de um sermão proferido na
capital do Congo. Fazem os fiéis sonhar com a “prosperidade
milagrosa”.

E se as igrejas invadem as ruas e, ao cair da noite, ecoam de
todos os lados cânticos e gritos, também penetram pela
televisão, pelos vídeocassetes e até pela Internet. “Se não forem
tomadas medidas draconianas, dentro de dez anos a nação
congolesa será constituída por uma geração de tarados e
psicopatas”, afirma o professor Mweze, decano das Faculdades
Católicas de Kinshasa .

Além da “influência ameaçadora de um islamismo extremista, em
expansão na Ásia e na África”, a Igreja católica receia a “concorrência
devoradora, nas grandes metrópoles do Terceiro Mundo, das
Igrejas evangélicas, das seitas e de um ‘pentecostalismo’
desenfreado ”. E no entanto, perguntam teólogos protestantes ,
“não seria o pentecostalismo o futuro do cristianismo no Terceiro
Mundo?”

De qualquer maneira, tanto na África quanto na América Latina,
fala-se cada vez mais em conversão. As Igrejas multiplicam-se
com os mais diversos nomes, alguns deles conhecidos, como
Assembléia de Deus ou Igreja de Deus, e outros menos, como
Deus É Amor, Igreja Viva, Templo de Sion, Igreja da Vitória etc.
O termo “pentecostal” raramente aparece nos nomes; utiliza-se
quase sempre a palavra “evangélicas” para as designar.O fator
uniformidade.E no entanto, perguntam teólogos protestantes,
“não seria o pentecostalismo o futuro do cristianismo no
Terceiro Mundo?”

O que se entende por pentecostalismo? Sua especificidade doutrinária
(que nada tem de heterodoxo com relação às Igrejas instituídas)
considera como atuais os dons do Espírito Santo (falar línguas, cura,
profecia, exorcismo etc.) tais como são descritos na narrativa de
Pentecostes dos “Atos dos Apóstolos”. Nascido do protestantismo
– e praticamente simultâneo – no início do século XX, nas Igrejas
negras dos Estados Unidos, África do Sul, Brasil e Chile, o movimento
Despertar passou por uma verdadeira explosão a partir da década
de 80. Incluindo-se o grupo das Igrejas sionistas e apostólicas,
abrange, na África do Sul, mais da metade da população, quando
não passava de um quarto há vinte anos.

Em países como o Chile e a Guatemala, atrai de 15 a 25% da população.
Tanto na África quanto na América Latina, o número de adeptos deste
novo proselitismo já ultrapassaria os cem milhões. No sentido comum
do termo, trata-se de “seitas”, devido ao proselitismo e às exigências
rigorosas exigidas e seus membros. Entretanto, o movimento não atende
a vários outros critérios que caracterizam as seitas (principalmente o
de caráter ultraminoritário) visto que, no sentido sociológico do termo,
não há exclusividade (a fórmula “fora da Igreja, não há salvação” não
se aplica: o que conta é a “conversão a Jesus”) e o afastamento com
relação ao “mundo” é cada vez menos acentuado .

Seja ela o que for, essa crença extraordinária pode-se medir pela
multiplicação das denominações, que atravessam fronteiras (Quênia,
Uganda, Ruanda, Burundi, Tanzânia ou Brasil, Venezuela, Uruguai,
Argentina). Aliás, o que chama atenção é a uniformidade. Como explicar
a semelhança desses novos cultos em Ruanda, Costa do Marfim, Bolívia,
Brasil, Guatemala e Haiti? Efeito ou manifestação da globalização ?
A crítica da “simplificação.”O termo “pentecostal” raramente aparece
nos nomes das igrejas; utiliza-se quase sempre a palavra “evangélicas”
para as designar.

Até o final da década de 80, circulava uma única explicação sobre esta
explosão, que, nos meios católicos, é resolutamente denominada de
“seitas”. Faz-se referência ao Relatório Rockefeller de 1969 bem como
ao Documento de Santa Fé, plataforma ideológica do presidente norte-
americano Ronald Reagan em 1980. Em ambos os casos, trata-se do
perigo de infiltração marxista na Igreja católica e dos perigos da
teologia da libertação. Aliás, a hierarquia católica também se preocupa.

Não é que, desde 1969, com o apoio discreto da CIA, a Universidade de
Louvain,na Bélgica, tenta fundar um centro de ética cristã do
desenvolvimento para controlar melhor os teólogos latino-americanos,
em parte formados por ela mesma? Em conseqüência disso, e para
contrabalançar a influência da teologia da libertação no mesmo terreno,
a estratégia sugerida por esses relatórios consiste, principalmente,
em apoiar as Igrejas evangélicas que começavam na época a se expandir.
Há,portanto, um elemento de realidade na opinião obsessiva de que as
Igrejas pentecostais constituem o “braço espiritual” do imperialismo
norte-americano.

Em 1990, dois livros brilhantes – o de David Stoll9 , um norte-americano
de espírito crítico, e o de David Martin10 , famoso sociólogo britânico,
estudioso das religiões –põem um ponto final a essas simplificações.
Se é verdade que Washington vê com bons olhos o desenvolvimento desses
movimentos evangélicos – por introduzirem elementos da cultura norte-
americana, contrabalançando a influência mais européia do catolicismo –
não está definitivamente provado que a extraordinária expansão desses
movimentos se deva a financiamento dos Estados Unidos. Nem está
provado que tenham recebido qualquer apoio financeiro importante
(mais importante, em todo o caso, que os destinados às diversas correntes
católicas).

A “teologia da prosperidade”.O que se entende por pentecostalismo? Sua
especificidade doutrinária considera como atuais os dons do Espírito Santo
descritos nos “Atos dos Apóstolos.”Na realidade, muitas dessas Igrejas são
totalmente autônomas. A expansão da Igreja Universal do Reino de Deus
fornece mesmo um eloqüente contra-exemplo no que se refere à direção
dos fluxos financeiros. No caso, é o dinheiro dos pobres brasileiros que
permite a implantação da Igreja em todos os continentes (inclusive nos
países do hemisfério Norte).

A homogeneização dos estilos de religiosidade e de doutrina, com base no
modelo norte-americano, fornece um argumento mais sólido em favor da
tese do “braço espiritual”. Em qualquer lugar da África ou da América
Latina, grandes cruzadas atraem massas impressionantes de adeptos
ou de curiosos aos estádios, programas televisivos de “cura divina”, às
vezes transmitidos 24 horas sem parar, atingem camadas cada vez
maiores da população, e, até nas cidades menores, encontram-se disponíveis
nas prateleiras das livrarias evangélicas best-sellers de devoção, traduzidos
de edições norte-americanas.

Tudo é sempre associado aos nomes de alguns grandes televangelistas como
JimmySwaggart, Pat Robertson, Kenneth Copeland, Reinhard Bonnke ou
Paul Yonggi Cho, alguns dos quais lideram, nos Estados Unidos, a coalizão
cristã e fazem parte do círculo íntimo dos presidentes.Por outro lado, como
explica Paul Gifford , que mostrou o parentesco do pentecostalismo com a
extrema-direita sul-africana, suas principais doutrinas são parcialmente
(e em diversos graus) de origem norte-americana, quer se trate da “teologia
da prosperidade” – Deus não ama a pobreza (enriquecer não é um pecado) –,
da libertação e da guerra espiritual – o que importa é expulsar Satã
de nossos corpos, de nossos espíritos e de nossos países –, ou ainda do que
Gifford chama de sionismo cristão .

A promessa do enriquecimento rápido. Na África, assim como na América
Latina, o número de adeptos do pentecostalismo já ultrapassaria os cem
milhões.Tanto na África quanto na América Latina, isso justifica a referência
constante a Israel nos sermões, assim como o convite feito aos fiéis para
fazer peregrinações a Jerusalém, comparáveis às dos muçulmanos a Meca.
Esta guerra espiritual de tom milenar toma também formas inesperadas:
na Costa Rica, um famoso pastor pentecostalista sobrevoou o país “da
fronteira de Nicarágua à do Panamá, e de Puntarenas a Limón, derramando
óleo santo a cada seis quilômetros”, para “libertar o território nacional de
modo a facilitar a evangelização ”!
Posted by Picasa