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Literatura 3 -O tálamo...

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----Estava na casa de uma amiga... Ela me ligou dizendo que não estava passando bem, daí fui ate lá dar uma ajuda.
----Tudo bem--- disse eu. ----Só que em uma situação dessa a gente tem que informar um ao outro. Cidade grande, cheia de perigos, sequestros, roubos. Um tem que saber onde outro está. ---Ela fez uma pequena careta, como se aquilo fosse uma bobagem e completou.
----Eu não sabia onde encontrá-lo. ---Daí foi que veio a tona a ideia de que de fato ela não sabia onde me encontrar. Eu também saia e nada dizia para onde ia. Com cara de bobo e vencido, fiquei calado. Ela foi para o quarto se trocar, depois ao banheiro, tomar banho. Ao passar rumo ao banheiro quase desnuda, lembrei que talvez estivesse sendo meio duro com a coitada. Veio um arrependimento repentino, o que me fez ir até a porta e pedir desculpas pela ignorância. Ela sorriu e ficou tudo bem novamente. Dali a dois dias aconteceu novamente. Eu tinha a impressão que ela saia há muito tempo, desde quando eu trabalhava. Daí a intolerância comigo em casa, mas devagar foi voltando ao velho sistema, pensava eu. Comigo trabalhando a liberdade era maior e não precisava arranjar desculpas. Comecei a rememoriar que, das poucas vezes que telefonava a ela do serviço, a encontrava em casa. Só que nunca ligava na parte da tarde. Para não arranjar confusão, fiquei quieto e fiz vista grossa. A cada dois dias ela saia. No principio me avisava que ia com uma amiga ao shopping, ou qualquer outra coisa do gênero. Depois de um tempo, já não se incomodava em me informar. Saia a tarde e voltava à noite. Comecei a perceber que nosso relacionamento muito lentamente esfriava. Talvez fosse o meu ciúme que cobrasse essas observações, daí fazia força para deixar passar muita coisa e não cair no ridículo. A gente tinha um pacto quando nos casamos. Era para não invadirmos muito a privacidade um do outro. Quando isso acontece à relação não dura muito. Tem que dar espaço, deixar respirar, dar alvedrio, tudo na base da confiança. Na verdade o despeito é uma grande bobagem. Uma afinidade dura enquanto tem comburente. Depois disso se acaba queiramos ou não. Mas em nossa ideia sempre achamos que dominamos a conjuntura. Ai foi o engano. O tempo estava mudando. Tempo de plantar, tempo de colher, conforme o Eclesiastes. Era um casamento democrático, mas com aquelas saídas constantes, começou a crescer dentro de mim a desconfiança. A desconfiança não precisa de água para crescer, como as plantas. Ela é regada com fragmentos, que a cada dia vão se somando devagar e constantemente. Um dia resolvi segui-la. Seria de um modo bem dissimulado para não cair no ridículo. Uma tarde quente, com nuvens pesadas encobrindo o azul do céu, eu sai atrás dela, mantendo certa distância, para não ser pego de surpresa por uma olhada rápida para traz. Ela caminhou dois quarteirões e pegou um táxi em uma praça próxima. Anotei o carro, e resolvi esperar pela volta do motorista já que ali era um ponto. O tempo mostrava sinal de chuva eminente em poucas horas, pelos trovões anunciadores. Aguentei firme e resoluto, marcando o tempo que o táxi estava ausente. Tinha que tirar a duvida de minha cabeça. Dali vinte minutos ele retornou. Calculei que teria a levado a cinco quilômetros dali. Cheguei devagar até o motorista e entabulei conversação.
----Boa tarde.
----Boa---Respondeu ele.
----É o seguinte: Um amigo meu indicou e o senhor, certamente que o conhece .Eu gostaria de saber quanto cobra para uma corrida até o aeroporto. Pretendo fazer em breve uma viagem para a empresa. E quero controlar, para depois prestar contas,de todos os gastos. ---Fiquei na espera dele perguntar o nome do amigo. Ia inventar um nome, ou falar de um conhecido meu. ---O taxista era um velho magro, bem arrumadinho, na simplicidade que a profissão exige. Por traz de sua camisa branca e bem limpinha, certamente tinha uma velha esposa dedicada e cuidando dele com amor. Desconfiado como todos os taxistas o são com desconhecidos, no começo media as palavras. Devagar fui conquistando sua confiança e ele foi relaxando e falando um pouco mais. Não perguntou o nome de quem o indicara.
----Sabe que para ir ao aeroporto a gente cobra por viagem. Lá é fora do município.
----Ah... Eu sei disso. ---Rematei.
----Fica em setenta reais. ----Concluiu ele olhando bem para mim, para captar alguma reação. Permaneci sereno, imaginando que ele pedira alto, na espera de uma pechincha. Mas a minha necessidade imediata não era aquilo.
----Está bom. Um dia antes da viagem eu ligo. Passe-me seu telefone.

O velho, com cara de satisfeito pegou no porta luva do carro um cartão e me entregou.

Carona legal


Comandante e amiga se contradizem sobre carona em avião presidencial

Em entrevista à rádio Estadão ESPN, nesta quinta-feira, 7, o comandante do avião da Presidência da República, coronel Geraldo Corrêa de Lyra Júnior, e sua amiga, a professora Amanda Correa Patriarca deram versões diferentes para explicar seu embarque, sem autorização da presidente Dilma Rousseff, em avião presidencial.

 Reportagem publicada pelo O Estado de S. Paulo, nesta quinta, mostra que Amanda, irmã de uma das comissárias da aeronave, viajou para Natal (RN), no carnaval.

Na entrevista, coronel Geraldo Corrêa de Lyra Júnior admite que Amanda é sua amiga, mas negou tê-la convidado ou autorizado o embarque. Afirmou ainda que a permissão é dada por autoridades ligadas à Presidência.

 Momentos antes, porém, Amanda afirmou à rádio ter pedido para embarcar e ter tido autorização do comandante. “Eu me convidei”, disse. Segundo ela, a solicitação foi feita por não haver mais vagas em aviões comerciais. “Mas não ficamos no mesmo lugar da Dilma. Eu não era a única civil lá dentro”, afirmou.

Ao fundo, coronel Geraldo Corrêa Lyra Júnior, durante a visita de Barack Obama ao Brasil. O episódio abriu uma crise no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela segurança da presidente.

 A presença de uma estranha alojada de improviso no avião presidencial, sem a ciência de Dilma, foi considerada internamente um risco às regras no aparato de segurança e uma ousadia ao rigor militar.

 Questionado pelo Estado, o GSI entrou numa operação com o Palácio do Planalto para evitar expor o episódio. No final desta manhã, o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, comentou à rádio Estadão ESPN as declarações do comandante e declarou que o acesso ao avião presidencial só é feito com autorização da chefia de gabinete.

 “Acho pouquíssimo provável que ele tenha cometido um deslize dessa natureza. Prefiro evitar julgamentos”, disse. De acordo com o ministro, o caso está sendo checado na chefia de gabinete. / Com informações de O Estado de S. Paulo

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