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A prática da injustiça


Foi notícia: Motorista inocente passa 4 anos preso (fonte) (vídeo)

Pincelada do Rabix

A incompetência se torna presente em todos os recantos desta terra, que dizem ser abençoada por Deus. Para o pobre inocente que se vê nas malhas  da polícia, fica com a certeza que é o diabo quem domina.

A incompetência anda de mãos dadas com a injustiça.Nada se faz para corrigir os erros que ja estão formando uma lista bem grande, desde os tempos dos irmãos Naves em 1937.

Parece que a polícia age de forma grotesca e direta quando se trata de pessoas pobres. Justiça onde é regida pelo dinheiro, não é justiça.Enquanto os ricos, são agraciados  e acessorados por advogados competentes usando e abusando dos habeas corpus e das entrelinhas de leis fajutas.

Leis que são bem feitas não tem entrelinhas. Os pobres são vitimas de investigações mal feitas e laudos falhos.

Aquí não se aceita como prova  incriminadora,  gravações em que o investigado ignore tal conduta.Interceptação telefônica tambem é prova ilícita se não tiver aprovação judicial.

Aceita-se depoimento humano onde as falhas são mais presentes e marcantes, onde a emoção influencia.
Essa prática tem um nome. Chama-se INJUSTIÇA.

Veja mais aqui, aquiaquiaqui, e aqui.

O Estado desorganizado



04-04-2005 
Justiça falha: Um erro judicial que custou 19 anos de vida

O motorista e mecânico Marcos Mariano da Silva perdeu 19 dos seus 56 anos. Vítima de erro judicial, por duas vezes foi preso por engano. Acabou confinado, sem motivo algum, em presídios em Pernambuco, onde também perdeu a visão dos dois olhos. 

No dia 22 do mês passado, Marcos foi reconhecido como vítima da máquina judiciária pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco. Os desembargadores concederam-lhe R$ 2 milhões de indenização por danos morais e materiais em conseqüência de sua última temporada enclausurado, quando ficou preso de 1985 a 1998.

 O TJ constatou que não havia condenação, inquérito ou mesmo registro informando o crime a ele atribuído.A via-crúcis de Marcos começou em 1976, quando foi preso em Cabo de Santo Agostinho (PE) sob a acusação de homicídio.

 Passou seis anos detido até que a polícia encontrou o verdadeiro criminoso e o motorista foi libertado. Em 1985, a polícia abordou Marcos na mesma cidade, acusando-o de violar a liberdade condicional. No entanto, não havia documentos comprovando que Marcos tinha dívida com a Justiça.

 O ônus da prova, que por lei é de quem acusa, inverteu-se: o réu passou os 13 anos seguintes recluso, sem poder provar inocência.Durante esses anos, Marcos foi tratado como um criminoso de alta periculosidade. Dividiu com outras dezenas de presos uma cela no presídio Professor Aníbal Bruno, em Recife. 

Chegou a passar seis meses no presídio de segurança máxima Barreto Campelo, em Recife. Lá, foi privado de benefícios básicos, como o banho de sol. Assim como a grande parte dos presidiários brasileiros, padeceu com atos violentos da polícia e de seus colegas de cadeia.

Em 1992, num motim, o Batalhão de Choque da Polícia Militar foi acionado. Uma bomba de gás lacrimogêneo foi jogada na cela de Marcos, deixando-o cego. Sua família virou-lhe as costas quando ele foi preso pela segunda vez. A mulher e as dez filhas acreditaram que Marcos teria cometido um crime grave. Durante o tempo de prisão, ele não recebeu visitas.

Capitão da PM assumiu presídio e descobriu o caso
A liberdade veio apenas em 1998, quando o capitão da Polícia Militar Roberto Galindo assumiu a direção do Aníbal Bruno e realizou um mutirão para descobrir a situação de cada preso. Descobriu vários casos de detentos que já haviam cumprido a pena. Mas nenhum caso como o de Marcos.

— Eu me coloquei no lugar dele e me deu uma angústia muito grande. Poderia ter acontecido isso com qualquer um, até comigo — disse Galindo.
O advogado Mauro Bessa, contratado para averiguar a situação de todos os presos, foi pessoalmente aos cartórios e tribunais de Recife tentar recuperar o caso de Marcos.

 Não encontrou nada registrado que comprovasse qualquer crime cometido pelo preso. Certidão emitida em 22 de junho de 1998 pelo Cartório Único de Distribuição da Comarca de Cabo de Santo Agostinho atesta: “Não verifiquei existência de registro de feitos criminais de Marcos Mariano da Silva”.

No dia 1 de julho do mesmo ano veio a confirmação do equívoco em certidão da 1 Vara de Execuções Penais do Estado. “Revendo o arquivo desta secretaria, nada encontrei contra a pessoa de Marcos Mariano da Silva”, concluiu a chefe da secretaria do órgão, Dalva Cristina Reis e Silva. 

Com os documentos em mãos, Bessa entrou com um pedido de hábeas-corpus pedindo a liberdade de Marcos. O benefício foi concedido pelo desembargador Arthur Pio dos Santos em 17 de agosto de 1998. O alvará de soltura do preso ficou pronto cinco dias depois.

O desembargador aposentado Aquino de Farias Reis, que em 1985 era juiz da 2 Vara de Cabo de Santo Agostinho e ordenou a transferência de Marcos da delegacia para o presídio, negou ter cometido erro, embora sua assinatura conste do documento de transferência:

— Não tenho elementos para falar do que não me recordo. Não mandaria ninguém para a prisão sem inquérito.
Quando Marcos deixou o Aníbal Bruno, só uma pessoa o esperava: Lúcia, uma empregada doméstica que visitava um parente no presídio e iniciou um romance com Marcos um ano antes de ele ser solto.

 O casal mora hoje em Camaragibe, na Região Metropolitana de Recife.
Fora da cadeia, o motorista conheceu o advogado Afonso Bragança. No dia 22 de março, conseguiram da 1 Câmara Cível do Tribunal de Justiça uma indenização de R$ 2 milhões — dos quais R$ 156 mil a título de danos materiais e R$ 1,8 milhão por danos morais.

 A decisão foi unânime, e a sessão emocionou os presentes. O desembargador Fernando Martins levantou-se e foi pessoalmente pedir perdão a Marcos em nome do estado.

O desembargador Ivonaldo Miranda, relator do caso, disse que o erro ocorreu principalmente porque em 1985 o sistema penitenciário era mais desorganizado. Insinuou que Marcos seria responsável pelo erro por ter persistido tantos anos sem procurar advogado.

— Ele não teve o cuidado de procurar um advogado antes, temos a defensoria pública. 
Marcos disse ter procurado ajuda na prisão. Como na cadeia todo condenado se diz inocente, ninguém acreditou nele.

Autor: Carolina Brígido
Fonte: O Globo

 O maior erro judicial até hoje
http://pt.wikipedia.org/wiki/Irm%C3%A3os_Naves

Bar da Justa.

É TUDO NORMAL




























Reação à soltura de Dantas é ''absolutamente normal'', diz presidente do STF.
Mendes afirma ainda ter feito só ''registro'' contra o juiz De Sanctis; A decisão gerou protestos contra ministro

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, disse ontem considerar ''absolutamente normal'' as reações à sua decisão de libertar pela segunda vez, na sexta-feira, o banqueiro Daniel Dantas, principal alvo da Operação Satiagraha, da Polícia Federal.

Porem, ao se referir ao manifesto assinado por juízes federais - que viram como uma intimidação o envio à corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de cópia da decisão do juiz Fausto Martin De Sanctis -, o ministro negou ter pedido uma investigação sobre o magistrado.

De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, decretou as prisões preventivas de Dantas e de outros acusados.
''Não fiz representação formal, só o registro mesmo'', declarou, comentando sua decisão de enviar a sentença ao CNJ. Em outro momento, disse que o objetivo era ''o acompanhamento estatístico''.

Na opinião de alguns especialistas,porém, a decisão de Mendes tem um alcance maior. Segundo o professor de Direito José Ribas Vieira, tecnicamente o registro feito à corregedoria do CNJ equivale a um pedido de investigação.
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O presidente do STF participou ontem da banca examinadora da tese de doutorado Do Direito ao Silêncio à Garantia de Vedação de Auto-incriminação - O STF e a Consolidação das Garantias Processuais Penais, apresentada pelo advogado Thiago Bottino do Amaral, na PUC do Rio.

Durante seus comentários sobre a tese, o ministro observou que, em momento de insegurança, ''o Supremo não tem dúvida em afirmar que há que se realizar a segurança com respeito aos direitos e garantias fundamentais''.

Para ele, ''quando um juiz segue o canto da sereia da mídia, ele descumpre direitos e garantias
fundamentais''.

do Estadão.

Aqui tudo é normal: Mensalão, Jogar criança de prédio, Viajar com dinheiro na cueca e sobretudo afanar dinheiro público. O que não é normal é ser trabalhador, honesto e respeitar as leis.





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A impunidade a caminho.

Após a absolvição do fazendeiro acusado de matar a missionária Dorothy Stang na última terça-feira, o promotor Edson Souza entrará com recurso contra a decisão e pedirá novo julgamento.

Por cinco votos a dois, o Tribunal do Júri de Belém considerou que não havia provas para condenar Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida. A decisão revoltou a família da vítima e entidades de direitos humanos presentes no salão do júri.



O promotor informou ainda que vai fundamentar o recurso alegando que o resultado do julgamento foi contrário às provas dos autos, que apontavam Bida como mandante do crime.

Edson Souza disse também que a apelação será apreciada por uma câmara de desembargadores do Tribunal de Justiça do Pará, e a decisão sobre se haverá um novo julgamento só deverá ser anunciada no fim do ano.


Este foi o segundo julgamento de Vitalmiro Moura, condenado em maio do ano passado a 30 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado. O fazendeiro, que estava preso desde 2005, foi libertado já na noite da última terça, após o resultado do julgamento.

Rayfran Sales, que confessou ter sido o executor da missionária, também foi julgado na última terça e teve a pena de 28 anos de prisão confirmada.


O júri que absolveu Bida era formado por seis homens e uma mulher. Eles acataram a tese da defesa de negativa de autoria de mando do crime. O que pesou na absolvição foi o depoimento do pistoleiro favorável ao fazendeiro, assumindo sozinho a autoria do crime. A defesa de Moura festejou a absolvição juntamente com os familiares do fazendeiro.



A missionária Dorothy Stang foi morta com seis tiros em Anapu, a 300 quilômetros da capital paraense, em fevereiro de 2005.

Ela trabalhava com a Pastoral da Terra e comandava o programa em uma área autorizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).


Comenta-se que testemunhas foram compradas por dez mil reais para deporem em favor do fazendeiro.Agora fica a pergunta que todos fazem: Se foi julgado em primeira instância e condenado a trinta anos de prisão, como no segundo julgamento é inocentado? Onde fica a moral da justiça nessas alturas?

Alí certamente tem manipulação e a justiça como sempre, desprestigiada.

Coisa antiga.

CRUZADA CONTRA A IMPUNIDADE
Por DAVID NASSER , na revista "O cruzeiro "na década de 50.

Comece a luta dentro de sua casa. Chame as suas filhas, os seus filhos, tôda a família, para uma conversa, e diga-lhes que não esperem muito senão de si mesmos. Que a impunidade é a resposta que nesta terra se dá a tantos crimes contra a vida, contra a honra, contra o patrimônio.

Mata-se no Rio de Janeiro, em um mês, duas vêzes mais que em Londres, em um ano. A vida de um ser humano, na Capital brasileira, é a única mercadoria deflacionária: vale apenas um pedaço de chumbo. Os bandidos cortam a barriga de um pobre chefe de família que volta para casa, roubam-lhe os embrulhos, e, sorrindo, deixam o infeliz estirado numa poça de sangue. Casais são assaltados e levam tiros no rosto.

A violência, o latrocínio, a morte fria campeiam impunemente pela cidade - e não se vê uma atitude decisiva, um grito de advertência, como se estivésemos acostumados a isto, como se tudo fôsse natural. A impunidade forja os maus exemplos. Novos bandidos surgem. Novas quadrilhas de marginais se formam - e a impunidade continua.

O Chefe de Polícia pode fazer justiça, fazer limpeza, livrar a cidade de assassinos irrecuperáveis - mas, apenas os assassinos que vieram dos morros, que vieram da sarjeta, que vieram do SAM desaparecem. Os abastados ficam.

Os mocinhos, filhos de pais ricos, que se divertem com a honra das meninas inexperientes, que se valem do dinheiro dos pais, do dinheiro que lhes dará a impunidade quando se tornar necessário. (E quase nunca se torna necessário, a não ser quando as coisas se agravam, como no caso Aída Cúri.)

Dedicamos esta reportagem, primeiro às mocinhas, mesmo às mais sensatas, lembrando que a virtude precisa ser protegida. Depois, aos pais de família, para que conheçam os perigos que suas filhas (e os seus filhos) correm todos os dias, tôdas as noites nesta cidade.

Ao Presidente da República, que, afinal, também tem filhas, e sabe o que isto representa. Finalmente, aos juízes íntegros, para que não deixem impunes tais crimes, a fim de que, exausto, cada pai de família atingido não venha a fazer justiça com as suas próprias mãos.